O ecoturismo tem se tornado cada vez mais procurado pelos brasileiros. Segundo dados do Ministério do Turismo, a modalidade já corresponde a cerca de 60% do faturamento do turismo de natureza nacional.
Ainda que popular, o modelo de viagem requer cuidados relacionados ao clima, ao preparo físico e aos sinais do ambiente.

Pensando nisso, a Dra. Leticia Jacome, médica clínica geral do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, listou orientações fundamentais para passeios em trilhas e cachoeiras.
Assim, com preparo e planejamento, é possível garantir uma experiência agradável e livre de riscos.
Quer saber como aproveitar trilhas e cachoeiras com mais tranquilidade? Confira as orientações a seguir!
Como aproveitar trilhas e cachoeiras com segurança?
De acordo com a Dra Leticia Jacome, passeios como as trilhas são uma alternativa saudável, e não devem oferecer riscos.
“O lazer não deve ser sinônimo de sofrimento ou perigo. Quando a pessoa se prepara, se informa e escuta o próprio corpo, a trilha cumpre seu papel de promover saúde”, afirma.
Os cuidados devem começar ainda dentro de casa, com um planejamento adequado que considere não apenas as roupas e itens individuais, como também o conhecimento necessário para evitar situações de risco.
Seja sob o sol forte ou em épocas de chuva, a segurança deve ser a prioridade de qualquer trilheiro, do iniciante ao experiente.
Abaixo, confira o nosso guia de segurança em trilhas e cachoeiras!

1. Planejamento: clima e terreno
O sucesso de uma trilha começa antes mesmo de calçar as botas. Isso porque as mudanças climáticas repentinas podem transformar um caminho simples em um desafio perigoso.
Embora épocas de calor atraiam mais visitantes, elas também trazem desafios específicos, como solo encharcado e calor excessivo.
“As chuvas mais frequentes e intensas deixam o solo instável e encharcado, aumentando o risco de quedas, torções e cansaço excessivo. Além disso, o calor favorece a desidratação e o mal-estar, especialmente em pessoas que não estão acostumadas a esse tipo de esforço”, explica Jacome.
O que verificar antes de sair:
- Previsão meteorológica: evite áreas de cachoeira se houver previsão de chuvas, mesmo que isoladas;
- Solo e aderência: chuvas intensas deixam o terreno instável, aumentando o risco de quedas e fadiga;
- Cuidado com a exposição: o calor favorece a desidratação e o mal-estar, especialmente em quem não está habituado ao esforço físico intenso.
Assim como destacado pela Dra. Leticia, os períodos de chuva exigem escolhas conscientes.
Nestes casos, optar por percursos curtos e bem sinalizados reduz drasticamente as chances de incidentes causados pela instabilidade do terreno.
Para mais informações de como agir durante ocorrências de fenômenos naturais, acesse o portal da Defesa Civil.
2. O perigo da cabeça d’água: como identificar
Muitas vezes subestimada por iniciantes no ecoturismo, a cabeça d’água é uma elevação repentina do nível do rio causada por chuvas que ocorrem longe do local onde você está. Sinais de alerta na cachoeira:
- Mudança na cor da água: se a água ficar subitamente escura ou barrenta;
- Aumento da correnteza: folhas e galhos descendo rápido pelo rio;
- Ruídos intensos: um som de “trovão” ou barulho forte vindo de cima do rio.
Ação imediata: Ao notar qualquer indício, saia da água imediatamente e busque locais altos e seguros.
A rapidez deste fenômeno não permite hesitação. Reconhecer os sinais da natureza é uma habilidade vital para quem frequenta cachoeiras e rios em qualquer época do ano.
Por isso, recomendamos sempre verificar o monitoramento do CEMADEN e seguir as diretrizes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
Outra dica valiosa é cadastrar seu celular para receber alertas de emergência via SMS através do sistema nacional 40199.
3. Equipamentos e proteção individual
A preparação começa antes de sair de casa: o que você veste e carrega determina seu nível de segurança e conforto térmico.
Além disso, a Dra. Leticia também destaca os riscos oferecidos pelos insetos nativos. Por isso, é sempre bom considerar estes detalhes:
- Vestuário e calçados: use roupas leves (dry-fit) e calçados fechados com solado antiderrapante. Isso evita escorregões, cortes e picadas de animais peçonhentos;
- Proteção solar e repelente: essenciais para evitar queimaduras e doenças transmitidas por insetos.
“Picadas podem causar reações alérgicas e infecções. A prevenção é o melhor caminho”, reforça a Dra.
O equipamento correto não é apenas conforto; é uma barreira de proteção. Estar bem vestido permite que você foque na experiência sem interrupções por desconfortos evitáveis.
4. Alimentação e hidratação no ecoturismo
A médica também destaca que a nutrição e a hidratação são os pilares para evitar o mal-estar.
Por esse motivo, evitar uma alimentação pesada e manter a hidratação constante é fundamental para quem pratica atividades físicas ao ar livre no calor. Ou seja:
- Refeições leves: priorize alimentos de fácil digestão antes da trilha para garantir energia;
- Hidratação constante: beba água regularmente, mesmo sem sentir sede;
- Escuta do corpo: tontura, fraqueza, náusea ou cãibras indicam sobrecarga.
Se sentir esses sintomas, interrompa a atividade imediatamente. Segundo a Dra. Leticia, ignorar os avisos do corpo pode levar a quadros graves, portanto, saber a hora de descansar é um ato de prudência e autocuidado.
5. Noções de primeiros socorros e itens decisivos
Pequenos incidentes como cortes e torções podem acontecer. E estar preparado para lidar com eles até buscar atendimento é fundamental. Dobre sempre a atenção quando tiver:
- Ferimentos: higienize o local e estanque sangramentos. Evite contato com água de rio se houver feridas abertas;
- Suspeita de fratura: imobilize o membro e não force a caminhada;
- Kit de emergência: leve lanterna, celular carregado (com bateria extra) e mapas offline
Carregar itens de segurança e ter noções básicas de socorro oferece autonomia. E caso haja uma situação de tempestade, a regra é clara: afaste-se de áreas abertas e corpos d’água e aguarde em local seguro.
Saber recuar também é bem-estar!
Aproveitar trilhas e cachoeiras é uma excelente forma de cuidar da saúde e fortalecer a conexão com a natureza, desde que a atividade seja feita com responsabilidade.
Mesmo trilhas e cachoeiras consideradas simples podem oferecer riscos individuais, e a segurança no ecoturismo depende do respeito aos próprios limites e ao ambiente.
E saber recuar diante de condições adversas garante que o contato com o meio ambiente continue sendo uma fonte de saúde e lazer.
Prepare sua mochila, escolha seu destino com o Dfolga e curta seu momento de lazer e contato com a natureza com consciência e segurança!
Fontes: Hospital Alemão Oswaldo Cruz
















