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Vírus Nipah: sintomas, riscos e prevenção

Especialista do Hospital Sírio-Libanês esclarece formas de contágio e cuidados

Os novos casos confirmados do vírus Nipah, na Índia, reacenderam o alerta para que as autoridades de saúde ao redor do mundo reforcem a vigilância sobre a doença infecciosa.

Isso porque, embora rara, a patologia é associada a altas taxas de mortalidade. Por isso, especialistas explicam sintomas e formas de prevenção.

Profissional de laboratório manipula tubos em equipamento usado para testes moleculares do tipo PCR.
Equipamento utilizado em testes moleculares do tipo PCR, empregados na identificação de vírus. Crédito: Getty Images

Identificado pela primeira vez em 1999, o Nipah é uma zoonose transmitida principalmente por morcegos frugívoros e, em algumas situações, por porcos.

Embora os registros de casos sejam esporádicos, o patógeno preocupa pela rápida progressão da doença, pelo risco de complicações neurológicas graves e pela ausência de vacinas ou tratamentos antivirais específicos.

A seguir, entenda o que é o vírus Nipah, o que está acontecendo na Índia e quais são as principais formas de prevenção.

Casos do vírus Nipah na Índia reforçam vigilância internacional

Após a confirmação de novos casos do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, na Índia, autoridades sanitárias locais e organismos internacionais intensificaram o monitoramento.

A preocupação se deve ao histórico de elevada letalidade da doença, que chegou a atingir até 70% em surtos anteriores registrados na região. Entre as principais medidas adotadas estão:

  • Isolamento de pacientes infectados
  • Rastreamento e monitoramento de contatos próximos

A rápida atuação das equipes de saúde tem sido decisiva para conter episódios anteriores.

Além disso, a experiência acumulada contribuiu para o aprimoramento de protocolos de biossegurança aplicados em situações de emergência sanitária.

Apesar do cenário exigir atenção, o vírus Nipah não apresenta, até o momento, transmissão comunitária sustentada nem disseminação aérea eficiente a longas distâncias.

Esse fator reduz o risco de propagação ampla, especialmente fora das áreas afetadas.

Duas pessoas usando máscaras de proteção, representando medidas de isolamento para conter doenças infecciosas.
O isolamento de pacientes infectados é uma das medidas de contenção do vírus Nipah. Foto: Getty Images

O que é o vírus Nipah e quais são os sintomas

Segundo a infectologista Jessica Ramos, do Hospital Sírio-Libanês, a doença causada pelo vírus Nipah costuma evoluir de forma rápida e agressiva.

“Após um período de incubação que varia de 4 a 14 dias, os sintomas iniciais incluem febre alta, dor de cabeça e mal-estar. Em alguns casos, o quadro pode evoluir rapidamente para pneumonia grave e encefalite”, explica.

Principais sintomas do vírus Nipah

  • Febre alta
  • Dor de cabeça intensa
  • Mal-estar geral
  • Pneumonia grave
  • Encefalite (inflamação cerebral)
  • Convulsões
  • Confusão mental
  • Coma

O vírus provoca inflamação dos vasos sanguíneos, afetando principalmente os pulmões e o cérebro.

Em estágios mais avançados, além da alta mortalidade, muitos sobreviventes desenvolvem sequelas neurológicas prolongadas, o que amplia o impacto da infecção a longo prazo.

Como ocorre a transmissão do vírus Nipah

A transmissão do vírus Nipah pode ocorrer do animal para o ser humano, principalmente por meio:

  • Do contato com secreções de morcegos
  • Da ingestão de alimentos contaminados

A transmissão entre pessoas acontece em situações de contato próximo, especialmente em ambientes de cuidado de saúde.

Mesmo assim, não há registros de circulação ativa do vírus Nipah no Brasil ou nas Américas, o que faz com que o risco de importação seja considerado baixo pelas autoridades sanitárias.

Prevenção contra o vírus Nipah: principais recomendações

Na ausência de vacinas ou tratamentos específicos, a prevenção é a principal estratégia de enfrentamento do vírus Nipah. Entre as recomendações estão:

  • Higienização rigorosa de alimentos
  • Evitar o consumo de alimentos possivelmente contaminados
  • Reduzir o contato com animais que podem hospedar o vírus

Especialistas também defendem a adoção da abordagem conhecida como “Uma Só Saúde”, que integra saúde humana, animal e ambiental.

Essa estratégia envolve vigilância epidemiológica contínua, monitoramento de populações animais e ações de educação sanitária, com o objetivo de reduzir o risco de novos surtos e de outras doenças emergentes.

“A vigilância constante e a resposta precoce são fundamentais para evitar que infecções raras e graves se transformem em crises de maior escala”, conclui a infectologista.

Com a circulação restrita e o baixo risco de disseminação internacional, as autoridades mantêm o foco na vigilância epidemiológica e na capacitação das equipes de saúde.

Nesse contexto, a comunicação clara com a população segue como estratégia para a contenção de eventos sanitários de maior impacto.

Fontes: Hospital Sírio-Libanês

Larissa Biondi

Jornalista e redatora do dfolga. Acredito que toda folga fica melhor com boas histórias — e é sobre isso que escrevo: viagens, eventos, turismo e entretenimento.
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