Quando a cinefilia e a vontade de desbravar o mundo se encontram, um novo tipo de viajante sai do cinema com o coração acelerado — não apenas pelo filme, mas também pelo desejo de conhecer o lugar retratado.
A sensação tem nome: set-jetting, uma tendência global que dita a montagem de roteiros turísticos de acordo com os locais mostrados em produções audiovisuais.

No período de premiações, especialmente após o Oscar, diversos cenários recebem a visita de curiosos.
Pensando nisso, a Nomad, fintech especializada em soluções financeiras para brasileiros no exterior, cruzou o ranking do Rotten Tomatoes com dados de interesse de viajantes e mapeou os destinos que aparecem nos filmes mais comentados desta premiação.
O resultado é uma lista que vai do sul profundo dos Estados Unidos às capitais mais góticas da Europa. Confira!
O que é set-jetting e por que cresce?
O set-jetting não nasceu agora. No início dos anos 2000, a Nova Zelândia experimentava um aumento expressivo no número de turistas que desejavam conhecer os cenários de O Senhor dos Anéis.
Anos depois, Dubrovnik, cidade histórica situada no extremo sul da Croácia, virou sinônimo de Game of Thrones para uma geração inteira de viajantes.
O que move o set-jetter é a camada de significado que o cinema adiciona ao lugar: o destino deixa de ser apenas uma coordenada no mapa e passa a carregar narrativa, atmosfera e emoção.
Assim, pisar nas mesmas ruas que os personagens favoritos transforma completamente o que significa estar ali.

Califórnia e Texas: oeste americano em tela grande
Paul Thomas Anderson levou Leonardo DiCaprio para a Califórnia dos anos 1980 em Uma Batalha Após a Outra.
As filmagens percorreram cidades como Eureka, Sacramento e San Diego. Além disso, regiões desérticas do Texas também foram usadas para reconstituir a estética da década de 80.
A diversidade de paisagens do oeste americano, do litoral ao deserto, é exatamente o que faz da região um cenário inesgotável para o cinema, oferecendo um destino que entrega roteiros completamente diferentes dependendo de qual direção você aponta o carro.
Delta do Mississipi: berço do blues no cinema
Ryan Coogler escolheu Clarksdale como pano de fundo para Pecadores, e a escolha não foi por acaso.
A cidade é um dos epicentros históricos do blues americano, aquele som que nasceu do trabalho, da dor e da resistência da comunidade negra do sul dos Estados Unidos.
Para quem viaja em busca de cultura e história com profundidade, o Delta do Mississipi é um destino fora do circuito convencional que entrega exatamente isso: paisagens marcadas pelo tempo e uma rica identidade cultural.
Idaho Panhandle: noroeste não descoberto pelo turismo brasileiro
Sonhos de Trem leva a câmera para as áreas rurais do noroeste dos EUA, especialmente o Idaho Panhandle e cidades do estado de Washington como Spokane, Snoqualmie e Metaline Falls.
A produção usa antigas rotas ferroviárias e paisagens naturais preservadas para recriar o início do século XX.
Para o viajante brasileiro, essa é uma região praticamente inexplorada: natureza densa, trilhas e uma história norte-americana que raramente aparece nos roteiros mais vendidos.
Nova York anos 50: Manhattan além do óbvio
Timothée Chalamet estrela Marty Supreme em uma Manhattan que já não existe mais: a da década de 1950, vibrante e competitiva, onde um jovem tenta se firmar no mundo do tênis de mesa.
A produção reacende o interesse por uma Nova York de outra época, com bairros, arquitetura e atmosfera que a cidade ainda guarda em seus cantos menos fotografados.
Nova York é um destino conhecido por muitos, mas que o cinema sempre consegue revelar ângulos novos.
Oslo: Noruega para além dos fiordes
Valor Sentimental, do diretor Joachim Trier, usa Oslo como cenário de uma história íntima e visualmente densa.
A capital norueguesa combina arquitetura contemporânea, museus de classe mundial e uma natureza que literalmente invade a cidade, com fiordes e vales rochosos a poucos quilômetros do centro.
Oslo ainda é um destino subestimado pelo turismo brasileiro, mas produções como essa têm o poder de mudar isso rapidamente.
Dinamarca: Hamlet como Patrimônio Mundial
O Kronborg Castle, em Helsingør, existe de verdade: e é exatamente onde Shakespeare ambientou Hamlet.
A adaptação Hamnet: A vida antes de Hamlet coloca o castelo de volta no centro das atenções.
Construído no século XVI e reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, o castelo fica no estreito que separa a Dinamarca da Suécia, com vista para o mar Báltico.
É um daqueles destinos que parecem inventados pelo cinema, mas existem há séculos, apenas esperando pelo retorno de seus tempos de glória e reacendendo o interesse turístico.
Edimburgo: gótico, medieval e cada vez mais popular
Guillermo del Toro assinou a nova adaptação de Frankenstein e escolheu Edimburgo para carregar a atmosfera sombria da história.
A capital da Escócia tem tudo para isso: ruas de pedra, castelos sobre colinas, arquitetura medieval e uma névoa que dispensa truques de cenografia.
A cidade já era um favorito do turismo cultural europeu, mas produções como essa reforçam o que qualquer pessoa que já foi a Edimburgo sabe: o lugar parece saído de um livro (ou de um filme).
Bônus: Recife aos olhos de Kleber Mendonça Filho
Além dos destinos mapeados pela Nomad, os bairros e ruas de Recife retratados em O Agente Secreto também se tornaram um roteiro turístico.
Na Rota Cinematográfica “A cidade no cinema de Kleber Mendonça Filho”, o turista conhece locações das obras do diretor, que conectam memória, identidade cultural e cinema.
Edifícios, cinemas de rua, parques… todos cenários emblemáticos do currículo de Mendonça Filho.
Aqui, o verdadeiro prêmio é a combinação entre cinema e realidade, na qual a cultura pernambucana é a protagonista de um roteiro encantador.
Qual destino do Oscar está no seu roteiro?
O set-jetting mostra que cinema e viagem falam a mesma língua: os dois transformam o jeito de ver o mundo.
Das planícies do Mississipi às ruas góticas de Edimburgo, os filmes desta temporada cobrem um mapa generoso de experiências, histórias e paisagens.
Para transformar essa inspiração em roteiro de verdade, o dfolga.com tem dicas, destinos e experiências para fazer de cada folga uma história que vale contar!
Fonte: Nomad Fintech; Skyscanner.














