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Set-jetting: conheça os destinos do Oscar

Tendência global transforma cenários de filmes em roteiros reais

Quando a cinefilia e a vontade de desbravar o mundo se encontram, um novo tipo de viajante sai do cinema com o coração acelerado — não apenas pelo filme, mas também pelo desejo de conhecer o lugar retratado.

A sensação tem nome: set-jetting, uma tendência global que dita a montagem de roteiros turísticos de acordo com os locais mostrados em produções audiovisuais.

Rua de paralelepípedos em Edimburgo ladeada por casas de pedra cobertas de vegetação com torre de igreja ao fundo sob céu nublado
As ruas de pedra de Edimburgo parecem cenografia permanente e atraem cada vez mais viajantes. (Foto: Getty Images)

No período de premiações, especialmente após o Oscar, diversos cenários recebem a visita de curiosos.

Pensando nisso, a Nomad, fintech especializada em soluções financeiras para brasileiros no exterior, cruzou o ranking do Rotten Tomatoes com dados de interesse de viajantes e mapeou os destinos que aparecem nos filmes mais comentados desta premiação.

O resultado é uma lista que vai do sul profundo dos Estados Unidos às capitais mais góticas da Europa. Confira!

O que é set-jetting e por que cresce?

O set-jetting não nasceu agora. No início dos anos 2000, a Nova Zelândia experimentava um aumento expressivo no número de turistas que desejavam conhecer os cenários de O Senhor dos Anéis.

Anos depois, Dubrovnik, cidade histórica situada no extremo sul da Croácia, virou sinônimo de Game of Thrones para uma geração inteira de viajantes.

O que move o set-jetter é a camada de significado que o cinema adiciona ao lugar: o destino deixa de ser apenas uma coordenada no mapa e passa a carregar narrativa, atmosfera e emoção.

Assim, pisar nas mesmas ruas que os personagens favoritos transforma completamente o que significa estar ali.

Placa histórica azul da Mississippi Blues Trail marcando a Muddy Waters House em Clarksdale com árvores e céu azul ao fundo
Placa da Mississippi Blues Trail na Muddy Waters House em Clarksdale, o berço do Blues. (Foto: Visit Clarksdale)

Califórnia e Texas: oeste americano em tela grande

Paul Thomas Anderson levou Leonardo DiCaprio para a Califórnia dos anos 1980 em Uma Batalha Após a Outra.

As filmagens percorreram cidades como Eureka, Sacramento e San Diego. Além disso, regiões desérticas do Texas também foram usadas para reconstituir a estética da década de 80.

A diversidade de paisagens do oeste americano, do litoral ao deserto, é exatamente o que faz da região um cenário inesgotável para o cinema, oferecendo um destino que entrega roteiros completamente diferentes dependendo de qual direção você aponta o carro.

Delta do Mississipi: berço do blues no cinema

Ryan Coogler escolheu Clarksdale como pano de fundo para Pecadores, e a escolha não foi por acaso.

A cidade é um dos epicentros históricos do blues americano, aquele som que nasceu do trabalho, da dor e da resistência da comunidade negra do sul dos Estados Unidos.

Para quem viaja em busca de cultura e história com profundidade, o Delta do Mississipi é um destino fora do circuito convencional que entrega exatamente isso: paisagens marcadas pelo tempo e uma rica identidade cultural.

Idaho Panhandle: noroeste não descoberto pelo turismo brasileiro

Sonhos de Trem leva a câmera para as áreas rurais do noroeste dos EUA, especialmente o Idaho Panhandle e cidades do estado de Washington como Spokane, Snoqualmie e Metaline Falls.

A produção usa antigas rotas ferroviárias e paisagens naturais preservadas para recriar o início do século XX.

Para o viajante brasileiro, essa é uma região praticamente inexplorada: natureza densa, trilhas e uma história norte-americana que raramente aparece nos roteiros mais vendidos.

Nova York anos 50: Manhattan além do óbvio

Timothée Chalamet estrela Marty Supreme em uma Manhattan que já não existe mais: a da década de 1950, vibrante e competitiva, onde um jovem tenta se firmar no mundo do tênis de mesa.

A produção reacende o interesse por uma Nova York de outra época, com bairros, arquitetura e atmosfera que a cidade ainda guarda em seus cantos menos fotografados.

Nova York é um destino conhecido por muitos, mas que o cinema sempre consegue revelar ângulos novos.

Oslo: Noruega para além dos fiordes

Valor Sentimental, do diretor Joachim Trier, usa Oslo como cenário de uma história íntima e visualmente densa.

A capital norueguesa combina arquitetura contemporânea, museus de classe mundial e uma natureza que literalmente invade a cidade, com fiordes e vales rochosos a poucos quilômetros do centro.

Oslo ainda é um destino subestimado pelo turismo brasileiro, mas produções como essa têm o poder de mudar isso rapidamente.

Dinamarca: Hamlet como Patrimônio Mundial

O Kronborg Castle, em Helsingør, existe de verdade: e é exatamente onde Shakespeare ambientou Hamlet.

A adaptação Hamnet: A vida antes de Hamlet coloca o castelo de volta no centro das atenções.

Construído no século XVI e reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, o castelo fica no estreito que separa a Dinamarca da Suécia, com vista para o mar Báltico.

É um daqueles destinos que parecem inventados pelo cinema, mas existem há séculos, apenas esperando pelo retorno de seus tempos de glória e reacendendo o interesse turístico. 

Edimburgo: gótico, medieval e cada vez mais popular

Guillermo del Toro assinou a nova adaptação de Frankenstein e escolheu Edimburgo para carregar a atmosfera sombria da história.

A capital da Escócia tem tudo para isso: ruas de pedra, castelos sobre colinas, arquitetura medieval e uma névoa que dispensa truques de cenografia.

A cidade já era um favorito do turismo cultural europeu, mas produções como essa reforçam o que qualquer pessoa que já foi a Edimburgo sabe: o lugar parece saído de um livro (ou de um filme).

Bônus: Recife aos olhos de Kleber Mendonça Filho

Além dos destinos mapeados pela Nomad, os bairros e ruas de Recife retratados em O Agente Secreto também se tornaram um roteiro turístico.

Na Rota Cinematográfica “A cidade no cinema de Kleber Mendonça Filho”, o turista conhece locações das obras do diretor, que conectam memória, identidade cultural e cinema.

Edifícios, cinemas de rua, parques… todos cenários emblemáticos do currículo de Mendonça Filho.

Aqui, o verdadeiro prêmio é a combinação entre cinema e realidade, na qual a cultura pernambucana é a protagonista de um roteiro encantador.

Qual destino do Oscar está no seu roteiro?

O set-jetting mostra que cinema e viagem falam a mesma língua: os dois transformam o jeito de ver o mundo.

Das planícies do Mississipi às ruas góticas de Edimburgo, os filmes desta temporada cobrem um mapa generoso de experiências, histórias e paisagens.

Para transformar essa inspiração em roteiro de verdade, o dfolga.com tem dicas, destinos e experiências para fazer de cada folga uma história que vale contar!

Fonte: Nomad Fintech; Skyscanner.

Larissa Biondi

Jornalista e redatora do dfolga. Acredito que toda folga fica melhor com boas histórias — e é sobre isso que escrevo: viagens, eventos, turismo e entretenimento.

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